Em "Sóis e Girassóis"... além de coisas do cotidiano, trago, para dividir com todos aqueles que possam se interessar pelos meus trabalhos literários e/ou artísticos: poesias, crônicas, frases e pensamentos, matérias de jornais e revistas e fotografias sobre as peças de teatro, danças e ballet teatro, dos quais participei ou participo, como atriz e/ou bailarina, atuando, dirigindo, coreografando ou ensinando. Meu ofício e meus afazeres... Meus Sóis e os meus Girassóis!
terça-feira, 10 de setembro de 2013
PAIS E FILHOS
Ao longo da história do mundo, viu-se uma mudança muito grande no relacionamento humano, com enormes mutações em sua relação social, política e cultural.
A mudança que mais chama atenção na sociedade moderna é a familiar, por ser a família considerada a célula mater da sociedade.
O relacionamento homem X mulher é o responsável direto por toda essa transformação.
Até algumas décadas atrás, um homem e uma mulher se uniam, "até a que morte os separasse", daquele relacionamento então, nasciam filhos, normalmente muitos filhos.
Hoje, as famílias estão com o seu relacionamento bastante mudado, na maioria dos casos, pela base. Os casamentos, já não são, em sua maioria, até que a morte separe o casal, pois, o casal, muito antes disso, já cuidou de se separar. Dessas separações, muitas vezes, formam-se novas células familiares, com outros filhos.
Nessas novas famílias, tem-se "os seus, os meus e os nossos filhos"... E assim, vai-se mexendo daqui e dali, ajeitando-se dali e daqui e formando-se, assim, novos conceitos de relacionamento familiar...
Sem critério de valores, temos, hoje em dia, uma multiplicidade enorme de formato familiar, com marido e mulher; mãe, pai e filho; mãe e filho; pai e filho; mãe, padrasto e filho; madrasta, pai e filho; mãe, pai, filho, enteado; madrasta, pai, filho, enteado; padrasto, madrasta, filho adotivo, filho, enteado; avós e netos; e famílias homoafetivas com mãe, mãe e filhos; pai, pai e filhos...
Nessas novas famílias modernas, repletas de possibilidades, e em cada possibilidade, mais uma enorme gama de peculiaridade, transparece uma certa inquietação social, com um nível de desconforto visível. Há uma fragilidade no convívio entre tantos diferentes e "iguais", em meio a tanta novidade, na maior parte da nova sociedade no mundo e em especial, no Brasil.
Os papéis sociais, não muito bem definidos e tão repletos de novidades, encontram-se bastante confusos e as crianças, que surgem em meio a este novo cenário, estranhamente ajustadas.
Filhos são sempre filhos e não importa se o pai ou a mãe encontra-se em novo relacionamento. Pai e mãe, serão sempre pai e mãe, não importa se já não moram mais juntos, pois eles sempre terão importância na vida dos filhos e serão sempre o máximo de referência humana, de homem e mulher.
Infelizmente, vemos, em meio a esta confusão toda, pais que agem como ex pais e mães, que mais raramente, mas que também conseguem agir com o ex mães.
Pais e mães, muitas vezes, hoje em dia, diante de um novo relacionamento, pensando ser sua última oportunidade de vida, acabam por deixarem um pouco, seus próprios filhos para trás e investir mais no novo relacionamento, inclusive nos novos filhos, que possam advir desse novo relacionamento, incluindo filhos do atual cônjuge, a quem o novo pai ou a nova mãe, parece ter necessidade de demonstrar boa vontade em tratar como verdadeiros filhos.
Apesar de ser o mais íntimo relacionamento humano, a relação pais e filhos porém nunca é fácil. E mesmo sendo este aprendizado difícil, nestes tempos de tantas novas formas de relação humana, os filhos ainda tem o seu máximo de referência e exemplo em seu pai e sua mãe.
Quando se é filho, deseja-se ser adulto, ter sua própria família e sempre o filho deseja "fazer melhor que os pais"... Só que quando trocam-se os papéis e o filho se torna pai, vê-se que as qualidades e principalmente os problemas e os defeitos de relacionamento familiar, também surgem e às vezes, até se repetem.
Hoje, em dia, por ter-se uma diversidade muito grande de tudo, os filhos podem optar por tudo, escolhendo cursos, profissão, partido político, país, cidade, família, até qual denominação sexual querem ter e com que sexo querem se relacionar... E o mais interessante e que causa espécie é que diante de tanta gama de opção, em todas as áreas, eles não são mais felizes por isso...
Será que quanto mais se escolhe, menos realização se alcança? Será que o ser humano não está preparado para escolhas? Será que o ser humano é o eterno insatisfeito? Ou ainda será que diante de muitas opções, fica-se mais inseguro e periga escolher-se mal? Não sei se há uma resposta ou se pode-se ter como resposta todas as possibilidades também. O certo é que há algumas décadas atrás, encontravam-se os filhos com suas avós, nos finais de semana... Hoje, muitas avós, criam seus netos, para suas filhas e noras, tornando-se verdadeiras mães dos netos... As babás, que ajudavam na criação dos filhos dos patrões, hoje, em muitos casos, tem a responsabilidade de criá-los, sem que haja o mínimo de preparo para fazê-lo... E isso em meio a toda essa turbulência e mistura de situações e confusão de papéis e personagens familiares, os filhos encontram-se cada vez mais perdidos...
Os filhos da época dos nossos avós para trás, casavam-se para sempre, às vezes, com pessoas escolhidas pelos pais, tinham profissões definidas, em muitos casos, também pelos pais. Eles não sabiam se eram felizes ou não, mas viviam acreditando que aquilo fosse o máximo objetivo de suas vidas e da mesma forma, criavam seus filhos, normalmente dentro da mesma expectativa. Não tinham terapeutas e apesar disso, não reclamavam dos seus pais, não se diziam infelizes pelo próprio casamento, nem pelo casamento dos seus pais, ou sofriam por se sentirem decepcionados com seus filhos.
Hoje, em dia, os filhos optam por tudo, reclamam de sua criação, de suas confusões, dos pais e das mães, principalmente. Sofrem pelos excessos, sofrem pelas ausências, sofrem com o casamento dos pais, sofrem pela separação dos pais, sofrem por estudar e trabalhar, sofrem por não conseguir isso ou aquilo e sentem profundo a dor de existir; em muitos casos, não se casam e quando se casam, normalmente já estão com mais de trinta anos. Na maioria das vezes, se separam, poucos anos depois, pois não têm paciência de tentar melhorar seu relacionamento, assim como, provavelmente seus pais, pois as opções de vida são muitas e eles querem ter tudo, aproveitar tudo e todos os possíveis parceiros, também. Os filhos, de hoje, normalmente, têm terapeuta, e mesmo assim, ainda se perguntam se são felizes ou não... Muitas vezes sentem-se infelizes e em tantos outros casos, continuam sem saber a resposta.
Pois é, filhos, pais, mães, padrastos, madrastas e todas as opções de tudo mais que há na vida... O certo é que para se compreender um povo, tem que se compreender o mundo que o circunda. Se a família é a célula mater do mundo... A família é a micro sociedade, na qual o país é o macro... Assim fica menos difícil compreender a complexa sociedade atual, em especial, a brasileira. O fato é que a vida familiar influencia todas as outras formas de relacionamento social. Com tantas confusões e contradições em todos os segmentos sociais , vê-se, portanto, que fica impossível um filho, diante de tanta complexidade, no mundo atual, compreender a família, que dirá o país e o mundo, em torno dele... Sinal dos tempos.
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