Passando pela estrada...
Vi atravessar toda prosa
A linda Dona Rosa...
Passeava sem noção e bela...
Em meio a rodovia
Sem pensar nos perigos...
Que na estrada havia...
Paramos o carro...
Ela olhou, se sacudiu como se tivesse barro...
Oferecemos-lhe pedacinho de sanduiche...
E o devorou com olhos de Marlene Dietrich
E sem nenhuma cerimônia
Deitou-se, sem pudor,
Ofereceu-nos sua linda barriguinha em flor...
Pra receber carinho e amor...
Conversamos com ela...
A Dona Rosa, mais bela...
Perguntamos-lhe seu telefone e endereço...
Ela não tinha... Nem ao menos um adereço...
Perdida na rua...
Uma pureza crua
Apesar de sua linda pelagem
Parecia sem nenhuma hospedagem
Com seu jeitinho de linguiça
Atiçava a cobiça
De quem na estrada passava
Era dócil, não era brava
Colocamos Dona Rosa lá em cima...
Mas como era uma lady, ameaçou de lá pular...
Retiramos a formosa da caçamba
E a colocamos dentro do carro, então...
Ela aceitou e veio feliz pra caramba...
E agradecida, nos beijou as mãos...
Uma rainha acariciando seus súditos...
Ninguém diria que nos conheceu de súbito...
E sem "botar pilha",
Já parecia pertencer à nossa família
Chegamos em casa com ela...
Foi uma alegria completa...
Beleza rara e seleta...
Se espalhava no ar, na casa e no quintal...
Pintura nobre, doce e temperada
Havia um reconhecimento de área...
Nossa querida bem-amada
Se colocou no tapete da sala de estar
Como se encontrasse um antigo lar
Não estava mais sozinha...
Nos olhava com o olhar que só ela tinha
Agora sua carinha cara, via nosso rosto...
Cara a cara, com muito gosto...
Ficamos encantados...
Logo de cara...
Começamos a pensar então...
Como viveria alguém
Que perdesse esse serzinho tão do bem?
E com dor no coração
Deixamos Dona Rosa em seu trono
E resolvemos procurar seu "dono"
Saímos do agora
E pela estrada a fora
De coração apertado
Fomos fazer o que era "certo"
Apesar de doído e chato
Um amor de raiz, inato
Aquela estrada parecia um deserto
E o primeiro lugar
(Perto de onde a encontramos)
Era mesmo o seu lar
Um sítio meio abandonado
Seu dono, um peão meio largado
Mas que com lágrimas nos olhos
Nos agradecia, emocionado
Tão generoso ato
Consternados, lhe demos nosso endereço
Ele foi de imediato
Quase que pelo avesso
Buscar a nossa joia rara,
Que nem esquentou lugar...
Chegou, de pronto
E correu para ela...
Ela também o abraçou e lambeu, que bela!
Foi embora com ele, de carro
Quanta beleza, que raro
Levou-a o felizardo do seu tutor
Uma vida repleta de amor
Nosso coração partiu, novamente
Entregávamos nossa pequena
Com a dor de quem perde um ente...
Assim, partiu dona Rosa
E levou a vida cor de rosa
Deixou um vazio em nosso peito
Mas sua vidinha, na nossa
Nos marcou, com efeito
Hoje ela é sonho e lembrança
Somos mais felizes
Por conhecer aquela fofura mansa
Como tatuagem no peito
Desenhou seu nome
(Com efeito)
Em nosso coração
Que para sempre marcou
Em nossos olhos
Seu olhar, ficou.
2 comentários:
Que lindo!!! Me emocionei aqui!!!
Fico feliz que você tenha gostado... A Dona Rosa foi e será sempre muito especial. Só quem conhece um anjinho de patinhas, pra entender! Abs! Obrigada!
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