segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Epitáfio Colorido


Escreveu colorido...
Procurou cor em tudo...
Mas às vezes, em preto e branco
Falou de temas meio mancos
...É que a graça, vem às vezes, pálida
E até mesmo o encantamento
Certas vezes tropeça no alinhamento...
Gostava de estética, mas amava a ética...
Não falaria de um tema qualquer...
Pra machucar um homem ou uma mulher
(que não merecesse, claro)
Foi da paz e do amor...
Não lutou por dinheiro
Amou sim, o cruzeiro do céu...
- O do sul...
Do infinito azul...
Em seu humano ser, a finitude...
Da liberdade, a amplitude
Queria mais era ter paz
Não aquela que jaz
`A esmo num cemitério...
Mas que cheia de mistério,
Morava no quarto do seu peito
Barulhento de palavras e sonhos...
E que sabia repousar
Nas leves asas do mundo
De lábios risonhos...
Coloridas borboletas e aves
Sobrevoavam seus pensamentos suaves
Quase sem tormentos, nem correção
Repletos de amor e paixão
Por tudo que era vida
E respirava
"Pirava" de pensar e se via a contemplar...
Tudo que era vivo o aprazia...
O silêncio se fazia...
Quando dormia...
Assumia que relaxava
Viajava profundo...
Pra onde as asas da vida o levavam
Viajava pelo passado,
Sonhava com o futuro...
Para ele...
O presente era o maior presente de Deus...
Não entendia os ateus...
Apesar de respeitá-los,
Assim como o Criador o faz e fez...
E os céus em arco-íris se abriam...
Amarelo, azul, verde, vermelho, lilás...
A multi colorida natureza...
Que de tão viva...
Vivia "o viva a natureza"!!!
A realeza das árvores em seus tronos...
Que de pés descalços, enraizavam a Mãe Terra...
Fecundavam nela, o oxigênio...
(Gênio mesmo quem a Criou)...
Entregava-se a pensar...
Cismava olhando as cadeias de montanhas...
Pareciam-lhe feitas em série...
Achava aquilo "fora de série"
Pensava que foram desenhadas numa prancheta...
Não precisava de drogas, era "careta"...
Contemplava a terra, seu lar...
A soltar do corpo possibilitava...
Numa viagem absoluta pelo paraíso
Não era coisa de Narciso
O amor maior o habilitava...
Feito de carne e osso...
Cultuava seu corpo, mente e alma...
Viver o excitava e acalmava-lhe a aura...
Nem excesso de coragem, nem paúra
Pois o sangue que nele pulsava...
Expulsava quaisquer dores...
As calmarias e os ardores...
Tudo borbulhava em suas veias...
As teias tecidas em seus armários...
Cheios de tecidos bonitos
(alguns hilários)...
Roupas para o corpo, adornos para os olhos...
TUDO, absolutamente tudo...
O  fazia contemplar o infinito mundo...
Do mais simples ao mais complexo...
Do beijo leve ao apertado amplexo...
Secos e molhados...
Do bege ao dourado...
Que perfeição...
Tudo era-lhe são...
Do caderno, a lição
(Da vida)...
Até mesmo a doença da alma...
Que diante de tanta beleza,
Se rendia à realeza...
Se deixava curar...
Sofrer não merece...
Quem tem "olhos", mesmo que cegos...
Para viver o mais sublime amor...
Amor de Deus...
Que nessa entrega viva...
Nos deixou Seu legado...
Sem a força de um delegado...
Fez suas fortes e suaves leis...
E ao amarmos uns aos outros...
Homens simples e doutos...
Cumprimos a sentença máxima...
"Viver de amor"...
Sem a impossível rima da dor...
Pois amar e deixar-se amar...
Não podia implicar em sofrer por isso...
Tentava viver sem resquício....
De contas a acertar...
Era "só acertar o passo"...
Dar um simples abraço...
Permitir alegria e não tristeza....
Seguia em frente, sem se importar com o que viria...
Tentava não discutir, apenas conversar...
Mesmo quando o assunto a versar...
Não era do seu agrado...
 Nada importava...
Tudo era prado...
E caminhava pelas colinas...
Acreditando que seríamos todos
 Cúmplices da mesma sina...
De viver sem lamentos...
Entregues entre prantos de alegria
E risos de magia...
Numa contínua ode à vida...
Falar do nada...
Sem nem mesmo interpretar
Brincava com os sons e o ar...
Entoava as músicas dos pássaros...
As risadas dos macacos...
Do elementar e do exótico...
Da pureza ao erótico...
Peças da mesma simples...
Multi complexa natureza...
Miosotes azuis, rosas vermelhas...
Olhos, bocas, sobrancelhas...
Na cara da vida...
No rosto puro da criação de Deus...
Cachorrinhos, gatinhos e bebês
Vaquinhas, cavalinhos...
Contemplava tudo que Deus fez...
A enriquecer a cenografia desse mundo...
No palco da vida
A alegria mais atrevida....
A coragem de gozar profundo...
A beleza do mundo...
Com seus tons pastéis e quentes...
Corações, almas e mentes...
A serviço da humanidade...
Vivia para si mesmo e para o outro...
Entre sãos e loucos
Com bravura e caridade...
Queria deixar um universo digno...
Como essa casa limpa,
Que aqui encontrou...
(E se encantou!)
Desejava ler sua história num céu...
Que começou, por certo, aqui...
Seu nome em algum livro do paraíso...
Escrito de sangue:
"Esse amou, viveu, chorou e venceu...
Plantou verde, colheu plantinhas...
Recolheu animaizinhos...
Respeitou idosos, adultos e crianças...
Numa vida turbulenta e mansa
Amou, sem medida....
Foi condecorado com o quadro da vida....
O mesmo quadro que ele olhara a contemplar, noite e dia...
Quando "curtia" e trabalhava,
Aproveitava pela terra, sua estadia
Ou tão somente por ali passava...
"Seu quadro" era uma foto que tirou com a própria retina,
Com aquela simplicidade fina...
Pois sabia...
Que seus olhos alcançavam da vida, o interior
O mais profundo e verdadeiro amor
Ali, a câmera jamais alcançaria...
Guardou "sua" natureza em seu coração.
E a distribuiu, com amor e paixão...
A todos os que passaram pela sua vidinha...
Vidinha "besta", sem muito dinheiro, nem muito "glamour",
Mas repleta de amor,
De alegria e encantamento...
Gratidão por ter tanto e tão pouco a pedir...
Aliás, muito também a refletir,
 Já que sabia que a graça dos olhos,
Como na grama, o orvalho
Apesar de ser dada a muitos...
Pouca gente a descobre...
Já que de "outros" interesses, se cobre
Passa a vida vendo o que não merece ser visto
Esquece-se da viagem, o visto
E deixa pra trás, o que realmente importa...
Não a vida torta... 
Mas a" torta" de padaria que se faz
 Com os ingredientes simples, mas que apraz
(Percebeu que muitos tinham pouco e poucos tinham muito)...
Em todas as áreas da vida...
Até quem tinha amor tinha muito amor pra dar...
E quem não tinha amor, não tinha nada a falar...
  Pois não conhecia a pureza do sentimento...
Apesar de ter sido a ele apresentado...
Não amou, nem foi amado...
Pois seus olhos contemplavam o vil metal...
Aquele mesmo que viu os presentes na vitrine,
Não o Menino do Natal...
Por isso escolheu viver o verdadeiro amor
De Deus e de todos os anjos Seus...
Deixou seu epitáfio colorido
Buscou da vida, o mais sublime
A pureza dos sentidos que se prime
De flores, borboletas e beija flores
Da aquarela, todas as cores
 Conhecidos, amigos e familiares
Apertos de mão, abraços...
Lágrimas nos olhares
...Um simples mortal
Não foi "o tal"...
Virou estrelinha
Nas entrelinhas dos céus
Ao lado dos anjos ou dos réus
Sobre a Bíblia, suas mãos
Sob o sol e a lua
Tentou seguir na mão destra da rua
Até chegar ao paraíso
...A finitude chegou, finalmente... 
A vida na terra, que parecia imortal
Acabou, literalmente.





8 comentários:

´Mário Cleber disse...

Uma autobiografia? Poeta é outra coisa.
Adorável o jogo de palavras. Queria usar como meu epitáfio, com algumas alterações. Parabéns. Um jorro de poesia.

diva disse...

Vce tem o dom das palavras linda de mais.

Unknown disse...

Oi, Cleber!!! Me senti imensamente lisonjeada pelas suas belíssimas palavras... Pensar que o "Epitáfio..." pode colorir, de certa forma, o epitáfio de alguém tão especial quanto vc, faz com que a poesia ganhe mais vida!
Te agradeço muito a generosidade e o imenso carinho com que vc me prestigiou!Fiquei muito feliz!
Muita vida e luz! Abraço.

Unknown disse...

Oi, minha linda e amada amiga do coração! Estou muito feliz com sua presença em meu "Epitáfio", vc esteve e estará sempre presente em minha vida! Te amo muito, amiga/irmã! Muita luz e vida em sua preciosa vida! *____*

Vanessa Alkmim disse...

Nossa, amei!
Você realmente tem o dom das palavras e o faz de forma mansa e envolvente.
Parabéns, fiquei até emocionada. :)

Unknown disse...

Oi, Vanessa, minha prima linda e mega amada! Fiquei muito emocionada com a sua emoção e com as suas palavras!
Obrigada pelo carinho com que vc me presenteia... Seu carinho e sua emoção não tem preço para mim! Beijos! :))))

diva disse...

Já postei comentario 2 vezes e não saiu vou tentar de novo.Adorei vce tem o dom das palavras ,lindo demais.

Unknown disse...

Oi, minha amiga do coração... Claro, já postou sim, taí, embaixo... AMEI sua publicação e estou colocando este seu novo post também...
Muito obrigada, minha querida, fico muito feliz com a sua presença, seu carinho sempre,
com suas belíssimas palavras!!! Muito carinho pra vc, minha linda. *__________*